Quanto o YouTube paga por 1 milhão de visualizações?

Resposta rápida: não existe um valor fixo. As faixas que circulam hoje para o Brasil vão de R$ 1.250 a R$ 22.500 por 1 milhão de visualizações em vídeo longo, e variam com nicho, país e formato.
Mas o extrato real de um canal de emissora regional, cedido à JMV Stream, mostra outra coisa: 23,3 milhões de visualizações acumuladas renderam US$ 2.771,47 em toda a história do canal — algo entre R$ 430 e R$ 470 por 1 milhão de views no câmbio de 2019. É um acumulado histórico de canal regional, não o RPM de um canal otimizado hoje, e a distância entre esses dois números é a primeira lição.
A segunda vem da conta do outro lado do balcão: comprar aquela mesma audiência como mídia no Google Ads custaria cerca de R$ 315 mil.
Quem produz conteúdo e monetiza só pelo AdSense costuma fazer uma conta só: quanto entrou. Quase ninguém faz a outra — quanto vale, no mercado de mídia, a audiência que ele mesmo produziu.
Este texto faz as duas, com os números fechados de um canal real, e mostra a fórmula de cada etapa para que dê para conferir linha por linha.
A fonte é uma palestra de Josimar Machado no SET Sudeste 2019, em Belo Horizonte, para produtores de rádio e TV. Os dados do canal foram cedidos por um cliente da JMV Stream e se referem a 2019 — toda cifra aqui carrega essa âncora de tempo, porque CPC, câmbio e RPM de 2019 não são os de hoje.
A palestra completa está em vídeo no YouTube (21 minutos); a transcrição revisada está no fim desta página.
O caso real: 23,3 milhões de visualizações, US$ 2.771,47
O canal é de uma emissora de rádio em uma cidade de cerca de 250 mil habitantes. Não é um canal de entretenimento nacional nem um MCN: é conteúdo local, produzido por quem é dono da informação daquela região.
Os números são do acumulado histórico, somando todos os vídeos publicados até 2019:
- ~23,3 milhões de visualizações somadas.
- ~60 mil inscritos.
- US$ 2.771,47 pagos pelo YouTube ao canal em toda a sua história.
A única cifra fechada aqui — a que sai do extrato, com todas as casas — é US$ 2.771,47. Tudo o que vier depois em reais é conversão e depende do câmbio do dia, então vale declarar a premissa em vez de entregar um número único:
- Em dólar, à prova de câmbio: US$ 2.771,47 ÷ 23,3 milhões = US$ 0,000119 por visualização, ou US$ 119 por 1 milhão de views.
- Em real: o dólar circulou em 2019 entre cerca de R$ 3,87 no início do ano e R$ 4,24 no pico de novembro, fechando o ano em R$ 4,0098. Na palestra, a conta foi feita com o câmbio do dia e resultou em R$ 0,00047 por visualização; o total foi arredondado para baixo, para “R$ 10 mil”, o que equivale a R$ 0,00043 por visualização.
Por isso publicamos a faixa, e não um número seco: R$ 0,00043 a R$ 0,00047 por visualização, o equivalente a R$ 430 a R$ 470 por 1 milhão de views. Qualquer valor apresentado como “o número exato em reais” estaria escondendo a premissa de conversão.
Por que este número fica bem abaixo da faixa que o mercado publica
Ele fica. E é importante dizer isso antes que alguém compare com a primeira página do Google. Numa consulta feita em agosto de 2026 pela pergunta “quanto o YouTube paga por 1 milhão de visualizações no Brasil”, o resumo de IA do próprio Google devolveu R$ 1.250 a R$ 22.500 por 1 milhão de views em vídeo longo (e R$ 60 a R$ 350 em Shorts), citando agências e fóruns.
Outras fontes da mesma página vão de US$ 250 a US$ 30 mil. A dispersão é enorme, o que já diz algo sobre a qualidade dessas estimativas.
O caso desta emissora, em R$ 430 a R$ 470 por 1 milhão, está abaixo de todas elas. As razões são concretas e não têm nada de misterioso:
- É acumulado histórico, não RPM corrente. Os 23,3 milhões somam anos de canal, incluindo período sem monetização ativa e visualizações que nunca receberam anúncio. O denominador é muito maior que a base efetivamente monetizada.
- Audiência regional e nicho de notícia local. CPM de rádio e jornalismo regional é dos mais baixos da tabela; finanças e tecnologia, os mais altos.
- Canal não otimizado para AdSense. Não havia trabalho de duração, densidade de breaks ou formato pensado para receita — era retransmissão de conteúdo editorial.
Então os dois números convivem: a faixa que o mercado publica é uma coisa; o que caiu na conta desta emissora, no acumulado, foi outra. Se você opera um canal parecido — emissora, portal regional, produtora local — o segundo número provavelmente descreve melhor a sua realidade do que o primeiro.
Vale conferir no seu próprio extrato antes de planejar receita em cima de estimativa de blog.
A conta do outro lado do balcão: quanto custaria comprar essa audiência
Aqui a conta inverte. Em vez de perguntar quanto o YouTube pagou, pergunta-se quanto custaria comprar aquela mesma audiência como mídia. A referência de custo não é estimativa de mercado: é o CPC médio real da própria conta Google Ads da JMV, ativa desde maio de 2007 — R$ 260 mil investidos, 143 mil cliques, 8.940 conversões, o que dá R$ 1,83 por clique e R$ 28,96 por conversão.
São números de 2019; hoje o CPC é outro.
A conta, com as premissas à vista:
- Taxa de clique aplicada: 0,74%. A palestra não enuncia essa taxa — ela está implícita no resultado citado. Explicitamos porque sem a premissa visível a conta não é conferível: 172.420 ÷ 23.300.000 = 0,0074.
- 23.300.000 × 0,74% = 172.420 cliques — o potencial de cliques daquela audiência.
- 172.420 × R$ 1,83 = R$ 315.528, ou seja, cerca de R$ 315 mil que seria preciso investir para comprar aquele volume de cliques.
Confrontando os dois lados: a audiência produzida pela emissora vale, em preço de mídia, algo próximo de R$ 315 mil; o que voltou para o dono do conteúdo foram os R$ 10,7 mil a R$ 11,8 mil equivalentes aos US$ 2.771,47.
A razão entre os dois valores está aí para quem quiser calcular — preferimos publicar os absolutos, porque foi o percentual, e não os valores, que saiu ambíguo na gravação.
Uma ressalva honesta, que a palestra não faz: as duas pontas não são a mesma moeda. R$ 315 mil é o que custaria comprar aquele tráfego, não o que o Google faturou com aquele canal — são leilões, formatos e anunciantes diferentes.
O que a comparação mostra não é a margem do intermediário; é a distância entre o valor de mercado da sua audiência e o que você recebe por ela.
Essa distância, sim, é verificável e está nos dois números acima.
Por que a diferença existe: o Google pulveriza o anunciante
A mágica do Google não está no vídeo, está na base de anunciantes. Um vendedor de emissora chega ao cliente com um kit de R$ 50 mil, R$ 80 mil, R$ 100 mil — e esse tipo de venda vai ficando mais raro a cada ano, em qualquer mercado, porque as margens do intermediário encolhem.
O Google faz o contrário: capta mil anunciantes de R$ 150 que, somados, compram o mesmo inventário. Ele permite que um anúncio apareça na capa de um grande portal por R$ 150, coisa que nenhuma tabela de mídia tradicional aceitaria vender.
Há um segundo fator, também estrutural: o vídeo publicado trabalha 24 horas por dia e não para. A receita do Google no vídeo não vem do que subiu hoje — vem dos milhares que subiram ontem, no ano passado, dez anos atrás, todos rodando ao mesmo tempo.
Mil vídeos no seu canal são, na prática, mil exibições simultâneas. É um ativo acumulativo, e a plataforma capitaliza esse acúmulo melhor do que o produtor.
A lógica de pulverizar também funciona na sua região. Vender anúncio em vídeo de R$ 150 a R$ 1.500 para o comércio local, no seu próprio player, é o mesmo movimento — só que a receita fica com quem produziu o conteúdo.
Rede social é ciclo; conteúdo é patrimônio
Orkut dominou e saiu. O Snapchat foi copiado até virar irrelevante. Redes sociais são ciclos: vêm e vão do mesmo jeito, umas mais rápido, outras mais devagar. O conteúdo que você produziu, não — ele permanece, e ele é seu.
A rede social é o meio, o caminho até o usuário final; ela não é o fim. Quem produz o conteúdo tem o poder, não o intermediário.
Isso muda a leitura do “marketing da vaidade”: acumular seguidor sem conversão é entregar audiência de graça para a plataforma. Vale mais um visitante no seu site do que um milhão de views no canal de outro, se o primeiro deixa contato e o segundo não deixa nada.
E vale lembrar quem é o dono da informação local. Globo, Record e SBT não têm capilaridade para cobrir a sua cidade em detalhe. Quem produz conteúdo regional é a autoridade daquela região — existe espaço, e ele não está sendo disputado pelas redes nacionais.
É a mesma tese, pelo lado do dinheiro, que sustenta o comparativo entre a JMV Stream e o YouTube para hospedagem de vídeos.
E, para vídeo, a estatística que interessa hoje não precisa vir de projeção antiga: o relatório Global Internet Phenomena apurou que o vídeo cresceu 24% em 2022 e já respondia por 65% de todo o tráfego da internet.
Não dá para ignorar dois terços do tráfego.
YouTube ou player próprio? A tabela de decisão
A escolha não é “um ou outro”. O YouTube é superior em distribuição e descoberta; o site próprio é superior em controle e margem. O erro caro é usar só o primeiro e nunca converter a audiência para o segundo.
Os critérios que decidem:
| Critério | YouTube (plataforma de terceiro) | Player próprio no seu site |
|---|---|---|
| Distribuição e alcance | Algoritmo de recomendação ativo; 2º maior motor de busca | Depende de SEO, tráfego direto ou mídia paga |
| Custo de infraestrutura | Zero — hospedagem, encoding e CDN por conta da plataforma | Custo de hospedagem, entrega e manutenção |
| Repasse em anúncio | 55% da receita líquida de anúncios na página de exibição (45% em Shorts) | 100% do acordo direto com o anunciante |
| Receita de fãs | 70% da receita líquida em Clubes do canal, Super Chat e Super Thanks | Somente a taxa do gateway de pagamento |
| Controle da audiência | Dados limitados; risco de suspensão e desmonetização | Controle total de lead, pixel, métrica e base |
Os percentuais de repasse são os oficiais, publicados pelo próprio YouTube na visão geral dos ganhos de parceiros: 55% da receita líquida de anúncios na página de exibição, 45% em Shorts e 70% em Clubes do canal, Super Chat, Super Stickers e Valeu.
Não são estimativa de terceiro — estão na documentação da plataforma.
Do lado do custo, quem vai montar entrega própria costuma superestimar a conta. Já comparamos o custo real de hospedar vídeo na AWS ou no Google Cloud e quanto um vídeo em 4K consome de banda — a equação receita × custo fecha antes do que a maioria imagina.
O que fazer na prática
1. Pare de levar audiência para a rede social
O erro mais comum é o sorteio com “curta e compartilhe”. Você está pagando com prêmio para comprar audiência para a plataforma. O caminho correto é o inverso: o locutor anuncia, o post leva o link, e o cadastro da promoção acontece no seu site, onde você captura e-mail e WhatsApp.
O seu site é a coisa mais valiosa que você tem — a rede social é ciclo, e vai passar.
Se a transmissão é ao vivo, dá para capturar o contato dentro do player, sem o espectador sair da live — tirar alguém da transmissão para preencher formulário é perda garantida.
Para uma cidade de 200 mil habitantes, uma base de 20 mil ou 40 mil WhatsApps qualificados é um poder de mídia que nenhuma página no Facebook entrega. Com moderação: disparo em excesso queima a base.
2. Venda o anúncio você mesmo, em vídeo, no seu player
Se dois terços do tráfego são vídeo, o anúncio também tem que ser vídeo. Um pre-roll de 30 segundos no seu próprio player, vendido direto ao anunciante local, com 100% da receita ficando na emissora. É exatamente o que os grandes portais fazem — e ninguém deixa de assistir por causa disso.
O passo a passo da ferramenta está em como utilizar anúncios no JMV Player para monetizar conteúdo; aqui o assunto é a decisão comercial, não a configuração.
3. Entregue estatística — sem relatório não há renovação
Este é o ponto que mais derruba contrato de anúncio local. Se você exibe o anúncio mas não consegue dizer ao cliente quantas pessoas viram, quantas clicaram e quantas converteram, não há credibilidade — e sem credibilidade não há renovação no mês seguinte.
O modelo de negócio pode ser por clique, por visualização ou por período; o relatório é inegociável. Se a ferramenta que você usa hoje não entrega esses números, ela é o gargalo.
Para quem está começando, o caminho prático é transmitir o estúdio ao vivo — não precisa ser um conglomerado, precisa ser um estúdio apresentável — e distribuir simultaneamente nas redes com o link apontando de volta para o site.
A infraestrutura para isso está em montar uma web TV completa e em streaming de vídeo ao vivo com alta qualidade; a hospedagem de vídeos da JMV Stream guarda e distribui o acervo em player próprio, com anúncio e estatística.
Operamos isso desde 2003, hoje com mais de 10 mil clientes em 18 países; para falar com a gente, o WhatsApp é (11) 4063-8923.
Perguntas frequentes
Quanto o YouTube paga por 100.000 visualizações?
Aplicando a faixa deste caso real (R$ 430 a R$ 470 por 1 milhão), 100 mil visualizações dariam algo entre R$ 43 e R$ 47. Pelas faixas de mercado publicadas para o Brasil em 2026 (R$ 1.250 a R$ 22.500 por milhão), o mesmo volume daria de R$ 125 a R$ 2.250.
A distância entre os dois intervalos é o próprio assunto deste artigo: nicho, país, formato e proporção de views monetizadas mudam tudo.
Quanto vale 20 milhões de visualizações no YouTube?
Há um dado primário para responder: um canal de emissora regional acumulou 23,3 milhões de visualizações e recebeu US$ 2.771,47 em toda a sua história, o equivalente a cerca de R$ 10,7 mil a R$ 11,8 mil no câmbio de 2019.
Proporcionalmente, 20 milhões de views nesse mesmo canal valeriam por volta de US$ 2.380. Vale insistir: é acumulado histórico de canal regional não otimizado, não o teto do formato.
Quanto ganha um youtuber com 500.000 inscritos?
Inscrito não gera receita — visualização monetizada gera. O canal deste caso tinha cerca de 60 mil inscritos e 23,3 milhões de views acumuladas, e a receita seguiu as views, não os inscritos.
Um canal com 500 mil inscritos e pouca exibição recente pode faturar menos que um canal menor com biblioteca ativa. A base de cálculo correta é sempre views monetizadas × RPM do nicho.
Quanto o YouTube paga por 200 mil visualizações?
Pela faixa deste caso, entre R$ 86 e R$ 94; pelas faixas de mercado de 2026, entre R$ 250 e R$ 4.500. Antes de planejar receita com qualquer um desses números, o certo é abrir o próprio YouTube Analytics e olhar o RPM real do seu canal — nenhum artigo, incluindo este, substitui o seu extrato.
Qual é a porcentagem que o YouTube repassa ao criador?
Segundo a documentação oficial do YouTube, o criador recebe 55% da receita líquida dos anúncios exibidos na página de exibição, 45% da receita alocada em Shorts e 70% da receita líquida de Clubes do canal, Super Chat, Super Stickers e Valeu.
Vale mais a pena monetizar no YouTube ou no site próprio?
Os dois, em papéis diferentes. O YouTube é motor de descoberta e não cobra infraestrutura; o site próprio é onde ficam 100% da receita do anúncio direto, o dado do lead e o controle da base.
A estratégia rentável é usar o alcance da plataforma para trazer a pessoa até o seu domínio, e não depender exclusivamente do AdSense.
Por que o valor deste caso é tão menor que o das estimativas de mercado?
Porque é acumulado histórico, inclui período sem monetização ativa e views não monetizáveis, e vem de audiência regional em nicho de notícia e rádio local — um dos CPMs mais baixos.
As estimativas publicadas costumam descrever canais otimizados em nichos de alto CPM, medidos em janela recente.
Os números da palestra ainda valem em 2026?
Como ordem de grandeza e como método, sim; como preço corrente, não. CPC de R$ 1,83, câmbio de 2019 e RPM daquele período mudaram. O que não muda é a fórmula: pegue as suas views, aplique uma taxa de clique declarada, multiplique pelo CPC atual do seu mercado e compare com o que o AdSense depositou.
Artigo baseado na palestra de Josimar Machado no SET Sudeste 2019 (Belo Horizonte). Os dados do canal foram cedidos por um cliente da JMV Stream e se referem a 2019; os valores de CPC e câmbio estão ancorados nessa data e não descrevem o mercado de 2026.
A transcrição abaixo foi revisada a partir da legenda automática do vídeo, sem alteração de conteúdo.
Veja também
- JMV Stream vs. YouTube: análise aprofundada sobre hospedagem de vídeos — o mesmo confronto pelo lado técnico e de controle.
- JMV Player: utilize anúncios para monetizar seu conteúdo — a configuração do pre-roll no player próprio.
- AWS ou Google Cloud para hospedar vídeo? Custo real — o outro lado da equação, o custo de entregar.
- Web TV completa — a infraestrutura para transmitir o estúdio e vender anúncio próprio.
Transcrição completa da palestra (Josimar Machado, SET Sudeste 2019 — revisada)
Boa tarde a todos. Vou pedir licença para falar em pé — não consigo ficar sentado, sou um pouco hiperativo. Trabalho com desenvolvimento de sistemas de streaming de áudio e vídeo há uns treze anos.
Em 2007 fui obrigado a começar a trabalhar com marketing, porque a gente precisava vender os nossos produtos e não sabia como — não havia agência de marketing digital especializada, não havia nada.
Acabamos montando um time internamente, e como o pessoal de rádio também não sabia como monetizar, começamos a cruzar as informações para ser relevantes nesse assunto.
Esta aqui é uma das contas que eu tenho, do nosso time e da empresa. A gente anuncia no Google há muitos anos: essa conta foi criada em dois de maio de 2007. Nela já gastamos o equivalente a 260 mil reais, com 143 mil cliques e 8.940 conversões — cada conversão na faixa de 28 reais e 96 centavos.
Para quem está achando que eu falo grego, vou explicar como funciona o Google e de onde vêm esses números. Falo mais do Google do que do Facebook porque o Facebook não tem uma rede de parceiros tão relevante; o Google tem uma capilaridade que hoje domina a captação de recursos vindos da internet.
Nessa conta, a média foi de um real e oitenta e três centavos por clique, somando todas as campanhas. O Google tem três formatos principais de anúncio: a busca — quando você pesquisa e os primeiros resultados são pagos —, a rede de display, que são os banners que aparecem nos sites (e onde mora o remarketing, aquele banner que te segue a vida inteira), e o YouTube, o vídeo.
Somando os três, chegamos a esse um real e oitenta e três por clique. Guardem esse número, ele vai fazer sentido daqui a pouco.
Sobre redes sociais: a maioria aqui já sabe, elas são ciclos. Vieram e vão embora do mesmo jeito — umas mais rápido, outras mais devagar, mas sempre serão ciclos. O Facebook domina agora, mais do que o Orkut dominou no seu tempo.
Trouxe alguns exemplos de redes que falharam: o Snapchat, por exemplo, não morreu ainda, mas o Facebook ofereceu comprar, não venderam, e aí ele foi lá e desenvolveu as mesmas funcionalidades no Instagram e no próprio Facebook. É questão de tempo.
Aqui eu quero falar especificamente com os produtores de conteúdo, o pessoal de rádio e de TV. Onde você vai fazer a sua campanha? Onde o seu locutor, o seu apresentador vai investir a estratégia?
A rede social é um meio, é o caminho — ela não é o fim. O produtor de conteúdo tem o conteúdo. Não interessa onde você posta: se amanhã o Facebook morrer e nascer outro, o conteúdo continua sendo seu.
Você é o caminho até o usuário final — não é o Facebook, não é o YouTube, não é ninguém. Quem produz o conteúdo é quem tem o poder.
Existe uma coisa que se chama marketing da vaidade: é quando você quer ter milhares ou milhões de seguidores sem converter isso em nada. Você está dando dinheiro para o Google, para o YouTube, para o Facebook, e isso não resolve o seu problema.
Vale mais uma pessoa visitando o seu site do que um milhão de views no YouTube que não fazem diferença nenhuma para você. Informação e publicidade é o que gera dinheiro. E quem é o dono da informação na sua região?
Você, que produz conteúdo. Você é o poderoso da sua região.
Não adianta se preocupar com a Globo, com a Record, com o SBT. Existe espaço para todo mundo: a Globo não tem capilaridade para cobrir a sua cidade regionalmente, em todos os detalhes. O primeiro passo, quando você quer monetizar e entender esse mercado, é a qualificação — e a falta dela é algo que a gente identifica muito no rádio.
Não falo só de proprietário de emissora; falo também da hora de contratar. Se você não contrata gente qualificada, está investindo errado. Isso aqui é processo, é conhecimento: estar hoje aqui ouvindo, estar em outro evento amanhã, entender como o processo funciona.
As margens de lucro diminuem em todos os mercados, o tempo todo — não existe mais o atravessador que compra por mil e vende por dez mil. Não dá para ficar parado.
O velho debate: o rádio vai morrer? De forma alguma. O rádio é um comunicador fantástico, assim como a televisão, e é onde as pessoas vão conferir se a notícia é verdadeira — ele é combate a fake news, é relevante para a população da cidade, independentemente da idade.
Só que você tem que estar onde o público está. A quantidade de pessoas ouvindo AM e FM pode diminuir um pouco, mas você precisa estar presente nas mídias digitais, que é onde esse público está.
Eu atualizei os números no site da Cisco antes de vir: segundo a pesquisa deles — e a Cisco é quem domina boa parte dos roteadores de tráfego da internet no mundo —, em 2022 oitenta e dois por cento de todo o tráfego da internet será vídeo.
Não dá para ignorar essa informação e não trabalhar nessa área. Você não pode se esconder de oitenta e dois por cento do mercado.
Então você produz o conteúdo e pergunta: e agora, o que eu faço com ele? Vou divulgar na rede social, vou anunciar no Google. E agora vem a parte boa da palestra. Estes números são de um cliente nosso, que gentilmente cedeu os dados. É o canal de uma emissora de uma cidade de 250 mil habitantes.
Em toda a história do canal no YouTube, eles tiveram 23 milhões e 300 mil visualizações somando todos os vídeos, e cerca de 60 mil inscritos. Com esses 23 milhões, o Google pagou a eles 2.771 dólares e 47 centavos.
Fazendo a conta rápida, isso dá 0,00047 centavos por visualização, já convertido em real pelo câmbio do dia em que fiz o cálculo. Agora, partindo dessa premissa: vamos pegar a quantidade de visualizações do canal, 23 milhões e 300 mil, multiplicar pela taxa de clique, e o canal dele teria gerado 172.420 cliques. É muito clique.
A um real e oitenta e três, gerando 172.420 cliques, quanto eu precisaria investir se quisesse anunciar e alcançar aquela audiência? Eu precisaria investir aproximadamente 315 mil reais, arredondando para baixo, para ter aquela quantidade de cliques — enquanto o Google pagou a ele cerca de 10 mil reais.
Eu peguei ainda uma outra campanha minha, de YouTube, com CPV — custo por visualização — para comparar YouTube com YouTube. Não vou entrar nos números específicos dessa segunda campanha aqui; só registro que não entrei nos fatores determinantes de configuração de campanha, que existem: regionalização, idade, sexo, interesse, uma série de coisas.
Se eu entrasse nesse detalhe, os números seriam bem maiores do que estes — estes estão entre os menores. É só para todo mundo ter uma noção de como a máquina funciona e de como o Google fatura.
E a mágica do Google é essa: ele não pega um cliente que paga uma fortuna. Ele pega cem reais de um, doze mil de outro, cinco mil de outro, dez mil de outro. Por isso a qualificação que eu falei lá atrás é importante.
Cada vez menos o seu vendedor, o seu locutor, o seu apresentador vai chegar em um cliente e vender um kit de 50 mil, 80 mil, 100 mil reais de anúncio. Isso vai existir cada vez menos. A mágica do Google foi pulverizar: ele permite que eu anunçe na capa de um grande portal pagando cento e cinquenta reais, tranquilamente.
Essa mentalidade vai existir na sua região também, porque você pode fazer a mesma coisa — a lógica é a mesma.
Se o vídeo é oitenta e dois por cento e a maior parte do faturamento do Google vem de vídeo, produção de vídeo é o caminho. Essa é uma ideia que eu defendo há alguns anos e que tive a felicidade de ver defendida também em um relatório sobre rádio, de 2019: a produção de conteúdo em vídeo para emissoras de rádio.
Como fazer isso? Peguei o exemplo de um cliente nosso: transmita o estúdio da sua rádio ao vivo. “Ah, mas eu tenho só uma rádio, não sou um conglomerado de comunicação.” Não tem problema.
Transmita. Faça o seu estúdio bonitinho — se não tem dinheiro, tem gente que trabalha com design, com adesivo, faça o que couber no seu bolso. Mas transmita ao vivo, porque, independentemente do tamanho da cidade, sempre vão existir temas populares de alta relevância.
Aí entra a questão do sorteio. Eu estava vindo para cá ouvindo rádio — eu gosto de ouvir rádio — e escutei: “compartilhe e curta para participar da promoção”.
Por que você está fazendo isso? Você está sorteando uma coisa dentro do Facebook e dando a audiência para eles. Fale para o ouvinte ir até a postagem, clicar no link e se cadastrar no seu site para participar da promoção.
O seu site é a coisa mais valiosa que você tem. A rede social é ciclo, vai morrer. Parem de ficar levando audiência para eles.
Se você tem transmissão ao vivo, existem hoje ferramentas que transmitem para todas as redes sociais ao mesmo tempo, com um clique. E, na sua transmissão, você tem a oportunidade de pedir o cadastro para participar da promoção, capturando o e-mail e o WhatsApp.
Tem também a oportunidade de exibir anúncio — só que não o anúncio do Google: o anúncio do seu cliente, no seu site, em vídeo. Faça um vídeo de trinta segundos, no padrão da internet, e exiba o anúncio dele.
O que gera dinheiro para você: a visualização na rede social ou no seu site? É no seu site.
Transmita ao vivo, retransmita para todas as redes ao mesmo tempo, e em todas as postagens coloque o link para o seu site. Porque, como eu digo, o maior patrimônio que eu tenho como anunciante é o contato: o seu e-mail vale mais para mim do que o seu Facebook.
Na hora em que eu quiser vender alguma coisa, ou te mandar um conteúdo, é o contato que importa.
No caso de emissoras, o que você pode fazer com um player? Vender o banner, que todo mundo já comercializa há muito tempo. Mas eu estou falando de vídeo dentro do vídeo: se oitenta e dois por cento da população quer assistir vídeo, faça um anúncio em vídeo para exibir.
Quem acessa os grandes portais vê que eles te forçam a assistir ao anúncio para assistir ao conteúdo. Por que você não faria? O conteúdo é seu, você faz o que quiser com ele. “Ah, mas é uma experiência ruim.” Se alguém sair, não tem problema — foi uma visualização que você vai contabilizar quando vender o anúncio.
Parem de mandar sorteio para o Facebook, para o Twitter, para o YouTube. Usem o site de vocês. Criem um sistema, contratem um programador, usem algum sistema pronto, capturem o e-mail e o WhatsApp para depois fazer campanha.
E, por favor, sem ser chato: usem com moderação, não fiquem mandando coisa o tempo inteiro. Mas imagine você com uma base de dez, vinte, quarenta mil WhatsApps numa cidade de 200 mil habitantes. É um poder de marketing avassalador na sua mão.
Hoje você consegue capturar o e-mail do espectador dentro do player, sem que a pessoa precise sair da sua transmissão, seja ela ao vivo ou gravada. É uma experiência bem melhor. O mercado de games faz isso: o espectador faz a doação sem sair da transmissão, digita o cartão ali mesmo, aparece uma janelinha e pronto.
Você consegue fazer enquete do mesmo jeito. Quando você obriga o cara a clicar e sair da transmissão, isso já é uma experiência ruim.
Uma comparação que eu faço: você tem uma transmissão ao vivo e tem os vídeos publicados. O vídeo trabalha para você vinte e quatro horas por dia, de manhã, de tarde, de noite, ao longo do tempo — é um trabalho de médio prazo.
E é assim que o Google fatura muito com vídeo: não é só com o que subiu hoje, é com os milhares que subiram ontem e dez anos atrás. Se você sobe mil vídeos no seu canal, você tem, digamos, mil exibições simultâneas.
Olha o poder disso para gerar rendimento e para você poder vender ao seu anunciante.
E é importante entregar ao cliente estatística fidedigna do que aconteceu: onde o público dele está, o que ele fez. Sem isso não há credibilidade para vender. Esse tipo de produto não serve para todo cliente — assim como eu, com plataforma de vídeo, não vou ter todo tipo de cliente.
Cabe a você e ao seu time comercial analisar com calma quem é o cliente em que o produto se encaixa.
Você consegue automatizar campanha de e-mail, saber quem abriu, automatizar campanha de WhatsApp com os contatos que capturou e saber quem abriu. Só que, de novo: com muita moderação, senão a pessoa desinstala o aplicativo.
Na minha opinião, essa é uma das coisas mais valiosas que existem no mercado, porque o modelo de negócio é seu: você pode vender anúncio por clique, por visualização ou por período.
O importante é entregar ao cliente tudo o que ele pediu em relação à mensuração. Se a ferramenta que você usa não te dá isso — se você tem o anúncio mas não sabe dizer quantos converteram, quantos entraram no site, quantos clicaram, quantos visualizaram —, você não terá credibilidade.
Você tem que entregar informação. Isso é o básico. É isso, galera. Obrigado.


